A construção do Teatro Municipal de Patos, no Sertão paraibano, é um projeto que se arrasta desde 2013, quando foi iniciado durante a gestão da ex-prefeita e hoje deputada estadual Francisca Motta (Republicanos). A obra foi viabilizada por uma emenda de R$ 2 milhões apresentada pelo deputado federal Hugo Motta (Republicanos) em 2011, quando ele tinha apenas 22 anos. A construção, no entanto, foi paralisada e abandonada diversas vezes. Nesta semana, os olhos da Folha de São Paulo se voltaram para as obras inacabadas da Capital do Sertão, uma vez que Hugo é o mais cotado a ser o próximo presidente da Câmara dos Deputados. No entanto, desde 2023 o portal Termômetro da Política vem denunciando o problema.
O projeto do Teatro Municipal de Patos, que inicialmente estava orçado em R$ 3 milhões, teve seu andamento marcado por paralisações, irregularidades e mudanças de gestão. Em 2020, o Ministério Público Federal abriu um inquérito para investigar a demora na finalização da obra e estabeleceu um novo prazo para sua entrega, prevista para abril do último ano, depois o equipamento cultural passou a ter projeção de entrega para este ano.
A construção do teatro é apenas um dos vários projetos que enfrentam problemas de atraso e irregularidades na cidade. Outros exemplos incluem a Vila Olímpica e o Centro de Iniciação ao Esporte, que também foram financiados com verbas federais obtidas por Hugo Motta.
Na Folha de São Paulo, uma fotografia da obra inacabada do Centro de Iniciação ao Esporte, da Prefeitura de Patos, recebe o título “Patos, reduto de Hugo Motta, favorito para presidir a Câmara” e subtítulo “Cidade do deputado no sertão da Paraíba tem obras inacabadas que receberam verbas federais de emendas e convênios”.
Uma reportagem publicada no último sábado (25), de título “Reduto de Hugo Motta tem obras encrencadas e inconclusas com verba de emendas do deputado”, lembra que a cidade de Patos é comandada pelo pai de Hugo e faz questão de focar no “acúmulo de má gestão de recursos”.
“Na segunda semana de janeiro, quando a reportagem esteve em Patos, não havia sinal de obras. O teatro estava cercado por tapumes. Numa das laterais, uma vizinha colocou farelo de milho para alimentar pombos e cabeças de galinha para cachorros de rua”, diz um trecho da matéria.
Autor de livros sobre a história de Patos, o pesquisador Damião Lucena foi entrevisado pela Folha. “Teve uma época em que no Teatro Municipal só tinham dois funcionários, um pedreiro e um servente, e os dois eram intrigados [brigados entre si]. Daí você vê como era a construção desse equipamento. Nós, ativistas culturais, e a população em geral já perdemos a esperança de que um dia esse teatro fique pronto”, afirma o pesquisador.
Conforme apurou a Folha, o caso do Teatro Municipal de Patos é apenas um exemplo de como verbas federais obtidas por Hugo Motta para a cidade têm sido mal geridas. Outros dois projetos esportivos de grande porte também estão parados há anos: a Vila Olímpica e o Centro de Iniciação ao Esporte (CIE).
A Prefeitura de Patos firmou convênios com o Ministério do Esporte entre 2013 e 2014 para a construção desses projetos. A Vila Olímpica foi orçada em R$ 2,9 milhões, enquanto o CIE teve um orçamento de R$ 3,5 milhões, com apenas R$ 866 mil liberados. Apesar disso, eles ainda não foram concluídos.
Com informações de Folha de São Paulo.