O projeto que cria o Dia Nacional do Brega (PL 5.616/2023) foi aprovado nesta terça-feira (1) pela Comissão de Educação e Cultura (CE), em decisão terminativa. Originado na Câmara dos Deputados, o projeto recebeu um parecer favorável da senadora Augusta Brito (PT-CE). A menos que haja um recurso para votação pelo Plenário do Senado, a matéria será enviada diretamente para a sanção presidencial.
O projeto estabelece que o Dia Nacional do Brega será comemorado anualmente em 14 de fevereiro, data de nascimento do cantor Reginaldo Rossi, conhecido como o Rei do Brega, que faleceu em 2013.
Ao apoiar a iniciativa, Augusta Brito destacou a relevância desse gênero musical para a formação da identidade nacional brasileira.
“A importância do brega para a identidade nacional está justamente em sua capacidade de contar o Brasil real, aquele que sofre, que ama intensamente, que sente ciúmes, que dança apesar da dor”, disse Augusta Brito.
O autor do projeto, o deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), acompanhou a votação na CE. Ele apontou a importância econômica do brega, que, de acordo com ele, movimenta uma cadeia produtiva fundamental para as periferias urbanas e rurais, principalmente nos estados das regiões Norte e Nordeste.
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Pedro Campos disse que o ritmo resistiu e cresceu mesmo diante de preconceitos, ajudando a propagar a identidade da periferia.
“É inegável que a raiz do brega é periférica. A raiz do brega vem das comunidades mais pobres, quer seja do estado de Pernambuco, quer seja do Nordeste e do Brasil, e por isso o caminho do brega sempre foi mais difícil, é por isso que muitas vezes [o ritmo] foi utilizado como algo pejorativo, algo cafona, não como algo que ressaltava e reforçava os sentimentos”, disse Pedro Campos, que tem como irmão o atual prefeito de Recife, João Campos (PSB).
A presidente da CE, senadora Teresa Leitão (PT-PE), enalteceu o brega como movimento cultural, ressaltou a irreverência do cantor Reginaldo Rossi e reconheceu o significado da data para a preservação da cadeia produtiva que o ritmo movimenta.
“Para nós, lá de Pernambuco, o relatório [de Augusta Brito] caiu como uma luva. O texto evidencia muito fortemente esse significado: é cafona para alguns, mas é muito representativo para outros”, disse Teresa Leitão.
Fonte: Agência Senado