Larissa Gabriela Lima Umbuzeiro, 30 anos, médica, foi sentenciada a 16 anos, 6 meses e 20 dias de prisão em regime fechado por comandar o núcleo financeiro de uma organização criminosa familiar envolvida em lavagem de recursos do narcotráfico. A decisão, proferida pela 3ª Vara Criminal de Feira de Santana, na Bahia, também determinou o bloqueio de 11 imóveis (incluindo apartamentos de luxo e uma fazenda), 15 veículos e mais de 500 cabeças de gado, avaliados em até R$ 50 milhões pelo Ministério Público estadual (MP-BA). A defesa anunciou recurso.
Além de Larissa, outras seis pessoas foram condenadas, cinco delas parentes. A médica e sua mãe receberam as penas mais severas do grupo pelos crimes de associação criminosa e lavagem de capitais. O esquema utilizava métodos complexos, como aquisição de propriedades, empresas fictícias e transações fragmentadas para ocultar a origem do dinheiro.
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O grupo foi preso em fevereiro de 2023 durante a Operação Kariri, da Polícia Federal. Rener Manoel Umbuzeiro, identificado como líder e pai de Larissa, morreu durante a ação após suposta resistência à polícia. A organização atuava no tráfico de drogas para abastecer a Bahia, com foco em Feira de Santana. Larissa era acusada de gerenciar ativamente a lavagem e sustentar as operações ilegais.
Investigadores encontraram 220 mil pés de maconha em seis fazendas ligadas ao grupo. O dinheiro do tráfico era lavado por meio da compra de bens de alto valor em nome de laranjas e familiares. Larissa e a mãe coordenavam a ocultação de patrimônio, incluindo transações em espécie e depósitos bancários fracionados para burlar fiscalização. A médica também usava um contador para regularizar bens perante a Receita Federal, desviando recursos para previdência privada.
Formada em 2020 pela Unifass, Larissa e seu marido, Paulo Victor Bezerra Lima, criaram um esquema para injetar dinheiro ilícito na empresa dele, simulando retiradas futuras. Paulo foi condenado a 6 anos e 6 meses em regime semiaberto.
A Justiça destacou que as ações de Larissa permitiram a continuidade do tráfico, dificultaram a apreensão de bens e causaram evasão fiscal, motivadas por “ganância e lucro fácil”.
Com informações do Portal UOL.