Justiça -
Ministério Público acusa juiz aposentado de usar identidade falsa por mais de 40 anos
Termômetro da Política
Compartilhe:

O Ministério Público de São Paulo denunciou um ex-juiz por falsidade ideológica e uso de documento falso. Segundo a acusação, ele teria enganado instituições públicas por quatro décadas usando um nome inventado, enquanto mantinha sua verdadeira identidade em segredo. As motivações para essa vida dupla ainda são desconhecidas, de acordo com a Promotoria.

Tribunal de Justiça de São Paulo (Foto: Antonio Carreta/TJSP)

A descoberta do esquema

A fraude veio à tona em outubro do ano passado, quando o magistrado tentou emitir uma nova via do RG com o nome falso em um Poupatempo na capital paulista. A Polícia Civil iniciou as investigações e descobriu que o juiz aposentado, que se identificava como Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, na verdade se chama José Eduardo Franco dos Reis, nascido em Águas da Prata (SP) em 1958.

Veja também
STJ decide que criptomoedas podem ser penhoradas pela Justiça

Carreira construída sob falsa identidade

Com o nome fictício, Reis formou-se em Direito pela USP nos anos 1980, prestou concurso e ingressou na magistratura paulista na década seguinte. Atuou em varas cíveis e chegou a ser coordenador da Escola Paulista da Magistratura em Serra Negra (SP). Assinava suas decisões como “Wickfield” e se aposentou em 2018.

A farsa da ascendência nobre

Em 1995, uma reportagem da Folha de S.Paulo citou “Wickfield” como um dos aprovados no concurso para juiz. Ele afirmou ter vivido na Inglaterra até os 25 anos e ser neto de um magistrado britânico. Na realidade, seus pais eram brasileiros: Vitalina e José.

A identidade falsa foi criada em 1980, quando Reis obteve seu primeiro RG como “Wickfield”, declarando ser filho de “Richard Lancelot Canterbury Caterham Wickfield” e “Anna Marie Dubois Vincent Wickfield” – pessoas cuja existência não foi confirmada.

Como a fraude foi sustentada

Segundo o MP, ele usou documentos como dispensa militar, carteira funcional e título de eleitor para conseguir o RG falso. Na época, esses registros não tinham sistemas de segurança avançados, facilitando a falsificação.

Os crimes imputados

Reis é acusado de falsidade ideológica e uso de documento falso em três ocasiões:

  • Agosto de 2021: Emissão de documento no Detran-SP.
  • Setembro de 2020: Registro no Renavam.
  • Outubro de 2024: Tentativa de tirar nova via do RG.

A fraude foi descoberta após a polícia comparar as digitais de “Wickfield” com as de Reis, usando tecnologia moderna.

Pedidos do Ministério Público

A Promotoria solicitou:

  • Cancelamento de todos os documentos em nome de “Wickfield”, incluindo CPF.
  • Medidas cautelares, como entrega do passaporte e proibição de deixar sua cidade.

O caso segue sob investigação, enquanto as autoridades buscam entender como a falsa identidade permaneceu sem detecção por tanto tempo.

Com informações do portal g1.

Compartilhe: